| Passaporte Para 2008 Com Gosto de Adeus |
| Quinta, 02 de Novembro de 2006 |
| Fonte: A Gazeta |
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O treino é forte. Do tamanho da expectativa. Fabiano Machado, de 31 anos, passa sete horas diárias dentro da água, normalmente em ritmo intenso. Musculação e alongamento ocupam outras cinco horas na semana. Um dos nomes mais vitoriosos da natação paraolímpica do país, com 14 medalhas entre Paraolimpíadas e Parapan-Americanos, o jornalista curitibano quer estar tinindo para os Jogos do Rio, no próximo ano.
Pode ser sua última participação na competição da qual sempre trouxe boas recordações. E uma porta para Pequim-08.
A inédita realização conjunta de Pan-Americano e Parapan-Americano na mesma sede é motivo de festa para Fabiano. Segundo ele, finalmente a competição terá um clima de Paraolimpíada.
“A diferença é gritante. O pessoal fica junto na Vila Olímpica, há uma interação com os competidores de outros países. Você vê seu principal adversário e dá um arrepio”, relata, empolgado.
Na Cidade do México, em 1999, e Mar del Plata, em 2003, o ambiente era outro, mais frio.
“Ficamos em um hotel e até o transporte era fechado para os brasileiros. A única interação era entre nós mesmos”, explica Fabiano.
Na opinião do atleta, essa mudança deve incentivar até a valorização da disputa na capital carioca com Estados Unidos e Canadá enviando suas equipes principais.
“Vai ficar mais forte, mais difícil para nós subirmos no pódio. Nos últimos anos dominamos completamente as piscinas. Desta vez, teremos de suar para ganhar uma medalha. E quanto mais complicado, mais saboroso fica”, opina.
A competição também será especial para Fabiano por dois motivos: a presença maciça de familiares e amigos na torcida e a chegada da primeira filha, Laura – que deve nascer em janeiro.
A alegria com a empreitada de 2007 contrasta com a insatisfação desta temporada. A única meta que ainda ambiciona, a conquista de uma medalha no Mundial de Piscina Paraolímpica, ficou ameaçada.
“Eles usaram como referência o ranking mundial. Mas muita gente reclamou porque as categorias são diferentes, têm número de participantes diferentes”, comenta, ausente da lista de 25 atletas que vão à África do Sul em dezembro. De acordo com ele, a competitividade deveria ser levada em consideração. Por esse pensamento, ser o sétimo em uma categoria com nove pessoas não seria mais valioso do que ser o 12.º entre 30, por exemplo. Outra chance, só em 2010.
“Me senti injustiçado. Mas a resposta eu quero dar na piscina. Trabalho duro para derrubar minhas marcas no Parapan. E espero que isso se transforme em medalhas”, afirma Fabiano. A dor é evidente, mas não deve ser empecilho para quem encarou com firmeza o drama de perder uma perna aos 19 anos.
Aos 17 anos, ele teve diagnosticado um tumor ósseo na perna direita. Passou por seis cirurgias em dois anos e meio até decidir, contrariando os pais, pela amputação.
“Chegou uma hora que nem podia mais ir ao banheiro. As enfermeiras tinham de me limpar. Aquilo não era vida”, conta. “Optei por amputar também porque corria o risco de uma infecção generalizada em caso de nova cirurgia. Três semanas depois eu já estava saindo com os meus amigos”, lembra ele, cujas provas principais são os 100 m e 400 m livre.
Sandro Gabardo
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